Chineses devem suspender planos de viagem e turismo internacional pode perder até US$ 73 bilhões


Levantamento estipulou três perspectivas de perda no setor conforme a evolução da letalidade do novo coronavírus. Turistas chineses passeiam na região das Galeries Lafayette, no centro de Paris
Reuters/Benoit Tessier
Um relatório aponta que a diminuição de turistas chineses por conta do novo coronavírus pode levar a uma perda de até US$ 73 bilhões no turismo internacional neste ano. O turista chinês é o que mais faz viagens pelo mundo.
A pesquisa da Tourism Economics, agência especializada em cenários econômicos no turismo, aponta três quadros possíveis:
se o surto for controlado no curto prazo, as perdas podem chegar a US$ 22 bilhões
caso o novo coronavírus alcance o mesmo índice de letalidade da Sars, um outro tipo de coronavírus cuja epidemia atingiu a Ásia entre 2002 e 2003, os prejuízos podem chegar a US$ 49 bilhões
se ultrapassar o patamar da Sars, as perdas podem alcançar US$ 73 bilhões.
Já a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês) divulgou duas previsões: no primeiro cenário, o mercado sofre desaceleração, recupera-se logo na sequência, e as perdas se restringem a US$ 63 bilhões. No pior cenário, em um prolongamento da crise, o prejuízo global na indústria da aviação alcança US$ 113 bilhões.
Mariana Aldrigui, pesquisadora na Universidade de São Paulo (USP), afirma que durante duas décadas os turistas chineses foram alvo de grandes campanhas e estratégias para aumentar a receita do setor. “Em diversos países do mundo, os locais se adaptaram para receber esse perfil de turistas. Por exemplo, houve na concessão unilateral de vistos [para chineses] para estimular as viagens”.
De acordo com Aldrigui, se a epidemia for controlada até abril deste ano, a recuperação do potencial de consumo dos chineses só deve acontecer em 2023.
“O próprio preconceito que chineses e asiáticos estão sofrendo podem tornar a recuperação ainda mais difícil. Por conta da xenofobia, eles podem evitar viajar para outros países por medo de represálias mesmo com o surto controlado”, afirma a pesquisadora.
Recentemente um estudante de Singapura diz ter sofrido um ataque racista em Londres por conta do coronavírus. Um jornal americano também registrou um outro ataque sofrido por uma mulher coreana na Holanda. Segundo a vítima, ela estava andando de bicicleta quando dois homens em um patinete elétrico tentaram agredi-la gritando a palavra “chinesa”.
Impacto em países vizinhos
Segundo Mariana Aldrigui, a crise pode impactar principalmente o turismo no continente asiático. “O coronavírus afeta principalmente os países vizinhos, que atraem mais turistas chineses. A consequência disso já está sendo sentida na Tailândia por exemplo, onde os locais estão praticamente vazios”.
Os principais pontos turísticos da região que normalmente estão sempre repletos de turistas estão despovoados. No inicio de fevereiro o país apresentou uma queda de 86% no número de visitantes do gigante asiático.
A Tailândia, o Camboja e as Filipinas podem ser os países mais afetados porque suas economias dependem muito do turismo
A Tourism Economics estima que a recuperação econômica da China só pode ocorrer após 2021
Cerca de 7 milhões a 25 milhões de turistas chineses devem deixar de viajar
Praça de alimentação em Pattaya, destino turístico da Tailândia, esvaziada pelo surto do novo coronavírus
Mladen Antonov/AFP
A China é também o quarto destino que mais recebe viagens no mundo. Em 2019 foram cerca de 65 milhões de turistas. Está atrás somente da França, Espanha e Estados Unidos. O país lucrou cerca de US$ 120 bilhões com viagens. Os voos domésticos devem sofrer uma perda de 28 a 66 milhões de turistas.
Os principais destinos dos chineses
Voos domésticos
Hong Kong
Macau
Internacionais
Tailândia
Japão
Coreia do Sul
Vietnã
Singapura
Taiwan
Estados Unidos
França
Rússia
Camboja
Malásia
Indonésia
Alemanha
Austrália
Emirados Árabes
Filipinas
Mianmar
Suíça

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