Se ligue nos links (21 de março)


Microscópio mostra amostra de primeiro caso do coronavírus Sars-Cov2 nos EUA, isolado em laboratório.
Hannah A Bullock; Azaibi Tamin/CDC
1) No Politico, 34 pensadores explicam porque a pandemia da Covid-19 mudará o mundo para sempre. Em entrevista à New Yorker, o historiador Richard Evans conta como governos do passado reagiram a pandemias no passado. No ProMarket, Luigi Zingales argumenta que os do presente têm sido ineptos para lidar com a ameaça. Em editorial, o Wall Street Journal critica as quarentenas e afirma que nenhuma sociedade pode resguardar por tanto tempo a saúde pública ao custo da econômica. No Guardian, o historiador econômico Adam Tooze discorda e sustenta que o novo coronavírus destruiu o mito de que a economia deve ser a prioridade. No EconLib, Dan Klein defende uma mistura de liberalismo e conservadorismo para lidar com a pandemia. No Marginal Revolution, Tyler Cowen anuncia seu plano sucinto para salvar a economia. Em entrevista ao VoxEU, Richard Baldwin lança um livro com propostas econômicas para os tempos da Covid-19. No Quillette, Jonathan Kay apresenta sua visão otimista e afirma que, depois do rigor das quarentenas, tudo voltará ao normal.
2) Em vídeo para a TED gravado em 2015, o bilionário Bill Gates já afirmava que o mundo não estava preparado para uma pandemia. No New York Times, o filósofo Alain de Botton mostra como o romance A Peste, de Albert Camus, pode ajudar a lidar com as angústias trazidas pelo novo coronavírus.
Manifestante segura cartaz que diz ‘salve Daegu’ em Daegu, na Coreia do Sul, onde foi registrado o maior número de casos do novo coronavírus no país, na terça-feira (25/2).
Lee Moo-ryul/Newsis via AP
3) A Science relata como o uso de testes em massa derrubou o contágio pelo novo coronavírus na Coreia do Sul, onde uma única contaminada, presente num evento religioso em Daegu, levou à infecção de quase 3 mil pessoas, como revela um gráfico da Reuters. O Atlanta Journal Constitution demonstra matematicamente por que o risco de contágio cresce nos grandes eventos. O Washington Post desvenda por que os Estados Unidos foram incapazes de produzir testes em quantidade suficiente como os sul-coreanos.
Estima-se que entre 50 e 100 milhões de pessoas tenham morrido por causa da gripe espanhola
Getty Images via BBC
4) Também no Post, o epidemiologista Marc Lipsitch conta a dificuldade para avaliar corretamente a mortalidade da Covid-19. Em entrevista à Science, o estudioso das pandemias Nicholas Christakis defende o fechamento das escolas antes mesmo que seja detectado o primeiro caso, com base num estudo sobre as mortes na pandemia de gripe espanhola em 2018, publicado em 2007 na revista da Associação Médica Americana (Jama). Outro estudo, publicado na Nature em 2006, comprova que fechar escolas e promover o isolamento social são métodos eficientes para conter as epidemias de gripe. Uma revisão de 67 estudos, publicada em 2011 pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, permite avaliar o impacto de diferentes estratégias de combate a vírus respiratórios. Um modelo estatístico, também publicado pelos NIH em 2014, permite entender como o contágio segue primeiro das crianças aos adultos, depois destes aos idosos. Pesquisadores do Instituto de Sistemas Complexos da Nova Inglaterra (NECSI) produziram uma análise que sugere combater a Covid-19 com uma abordagem não de rastramento individual, mas foco comunitário, estratégia que afirmam ter surtido resultado no combate à epidemia africana de ebola em 2014.
Voluntário opera um robô usado para desinfetar uma área residencial de Wuhan, em Hubei, na China, na segunda-feira (16/3)
Stringer via AFP
5) Estudo na Science revela como o contágio não-documentado facilitou a disseminação do novo coronavírus na China. O resultado corrobora as estimativas publicadas no MedRxiv por pesquisadores chineses que avaliaram o resultado do combate à Covid-19 em Wuhan. A estratégia da China foi extensivamente tratado em relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em parceria com a equipe de Lipsitch, da Universidade Harvard, outra equipe chinesa comprovou, comparando dados de Wuhan aos de Guangdong, que é preciso agir o mais cedo possível para evitar as mortes pelo novo coronavírus. Demógrafas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, chegaram a conclusão semelhante comparando os dados das cidades italianas de Lodi e Bergamo – e tentaram estimar o impacto da pandemia em países como Brasil e Nigéria. Um modelo estatístico elaborado pela equipe de Lipsitch, também publicado no MedRxiv, projeta o retorno do novo coronavírus nos próximos invernos, depois que passar a primeira onda da pandemia. Em artigo de 2010 no Plos One, Christakis e James Fowler mostram como é possível usar as redes sociais para monitorar epidemias.
Uma mulher caminha pela Millennium Bridge, em Londres, vazia durante a hora do rush. O primeiro-ministro Boris Johnson orientou aos cidadãos britânicos que evitem atividades ‘não essenciais’ e contato interpessoal para conter o surto do coronavírus
Reuters/Hannah McKay
6) As recomendações do Imperial College que levaram à mudança na estratégia do governo britânico no combate à Covid-19 são tema de reportagem no BuzzFeed e na Wired, além de um artigo do virologista Jeremy Rossman na Conversation, de um podcast com o epidemiologista Adam Kucharski no Exponential View e de uma crítica de Chen Shen, Nassim Taleb e Yaneer Bar-Yam no site do NECSI (Bar-Yam mantém também o site End Coronavirus, dedicado à erradicação da pandemia). Na Stat, o epidemiologista John Ioannidis argumenta que não dispomos ainda de dados suficientes para tomar decisões a respeito do controle da pandemia. Também na Stat, Lipsitch argumenta que aquilo que já sabemos é mais que suficiente para saber que não podemos nos dar ao luxo de esperar para tomar uma atitude.
7) O Upshot traz uma ferramenta que permite simular o número de mortos que a Covid-19 fará nos Estados Unidos. No Stats and R, Antoine Soetewey apresenta sete recursos para programadores de R que quiserem trabalhar com os números da pandemia, entre eles os pacotes “nCov2019” e “coronavirus”. Ferramentas prontas para traçar gráficos e simular cenários estão disponíveis no bcloud, no site do cientista da computação Mark Handley, do University College London, e no Shiny Apps do biólogo Ben Phillips, da Universidade de Melbourne, na Austrália. Os números da pandemia continuam disponíveis no WorldOmeters e no Centro de Recursos sobre Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. O CoMuNe Lab, da Fundação Bruno Kessler, na Itália, publica os principais números da epidemia de desinformação – a “infodemia” – que cerca a Covid-19, com números sobre notícias falsas e a ação de robôs.
Pôster mostra o Tio Sam de máscara com a frase em inglês ‘Eu quero que você fique em casa’, alterando o slogan usado para recrutar jovens para o Exército americano, em Barcelona, na Espanha. A obra do artista TVBoy é inspirada na pandemia do coronavírus
Josep Lago/AFP
8) No New York Times, Zeynep Tufecki argumenta que foi um erro informar à população que não seria necessário usar máscaras para evitar o contágio.
9) O ProPublica conta a história do cientista chinês levado a fugir dos Estados Unidos pelas políticas contra imigração do governo Trump, que depois descobriu um teste rápido para a Covid-19 em seu país.
Bandeira dos Estados Unidos cobre parte de um retrato de Mao Tsé-Tung
Damir Sagolj/Reuters
10) Quando ainda era editor-chefe do BuzzFeed , no ano passado, Ben Smith contou a história do diplomata chinês que foi promovido por assediar os Estados Unidos no Twitter. Na New York Review of Books (NYRB), Ian Johnson resenha três livros sobre os intelectuais na China contemporânea. Na Harper’s, Julian Gewirtz discute um novo livro sobre a persistência do maoísmo entre os chineses.
Casal com máscaras de proteção facial para previnir o contágio pelo novo coronavírus em escada rolante de estação de metrô em Seul, na Coreia do Sul no dia 1/3
Kim Hong-Ji/Reuters
11) No Medium, Noah Haber trata com humor os epidemiologistas de sofá que tomaram conta da internet. No Times, Taylor Lorenz apresenta um novo projeto para preservar o namoro em tempos de quarentena e distanciamento social.

Distribuição / Melhor Hoje / Fonte

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