Na Venezuela, chavistas tentaram comprar deputados de oposição, segundo agência


Deputados da oposição divulgam gravações e diálogos de aplicativos de mensagens que mostram que houve uma tentativa de compra de votos na eleição do líder da Assembleia Nacional do país, em janeiro. O líder da oposição e autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, confronta membros da Guarda Nacional Bolivariana ao chegar à Assembleia Nacional, em Caracas, na terça-feira (7)
Cristian Hernandez/AFP
Em janeiro, o líder da Venezuela, Nicolas Maduro, afirmou que tinha sido vitorioso em uma eleição entre os deputados do país que haviam eleito um parlamentar alinhado a ele para presidente da Assembleia Nacional.
Esse é o único órgão que não é dominado pelos chavistas. O presidente da Assembleia é Juan Guaidó –por ser o líder dessa Casa, ele afirma que também é o presidente do país, porque Maduro não teria legitimidade.
Houve uma votação no dia 5 de janeiro para decidir se Guaidó seguiria no posto. O adversário dele era o chavista Luis Parra.
Antes dessa votação, os chavistas ofereceram dinheiro e fizeram ameaças para tentar dividir a oposição. A Reuters obteve uma gravação entre dois deputados e entrevistou uma dúzia de outros, além de ter tido acesso a mensagens que comprovam isso.
O governo de Maduro nega ter feito ameaças.
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Em uma gravação feita no dia 15 de dezembro, o deputado Kerrins Mavarez, de 34 anos, conversou por telefone com um opositor preocupado com um outro opositor, Luis Stefanelli.
Na conversa, Mavarez relatou que um emissário do governo perguntou quanto custaria um voto no candidato de Maduro. Esse emissário, que não foi nomeado, também fez ameaças.
“Estou realmente com medo, não me deixe só”, disse Mavarez a Stefanelli.
Mavarez foi um dos 15 opositores que mudaram de lado e votaram em Parra, o candidato chavista.
Acusado por colegas de ter aceitado subornos, ele afirmou que foi corajoso, e que Guaidó fracassou na tentativa de resolver a crise do país. A Reuters não conseguiu determinar se ele recebeu ou não suborno.
Quanto você quer?
Políticos da oposição entrevistados pela Reuters disseram que 30 deputados receberam oferta de dinheiro pelo voto. Os alvos eram principalmente políticos que estão em dificuldades financeiras ou os que estão frustrados com Guaidó.
Provas foram mostradas em três casos.
“Eles chamavam aqueles que tinham dúvidas ou os insatisfeitos com a liderança [de Guaió]”, disse o deputado Jose Guerra.
De acordo com Guerra, um dos chavistas que ligavam era Jose Noriega, que foi da oposição. Noriega nega.
Segundo pessoas próximas do Partido Socialista, Maduro queria aproveitar a queda de popularidade de Guaidó e tomar conta da Assembleia Nacional.
Parra, no entanto, não conseguiu atrair o número suficiente de deputados.
Por isso, os chavistas tentaram barrar a entrada dos parlamentares no prédio.
Em uma votação sem quórum, para a qual nunca foi apresentada uma lista, o chavista diz ter saído vitorioso.
Maduro afirmou, em um pronunciamento na TV, que Guaidó não queria entrar no Congresso porque sabia que não teria o número suficiente de votos.
Em uma sessão separada, os opositores elegeram Guaidó, em uma votação feita em uma redação de um jornal.
O controle do edifício, no entanto, ficou com os chavistas.
Guaidó acusa Maduro de ter vencido as eleições de 2018 com fraudes, e se autoproclamou líder do país em 2019.
Café da manhã em hotel
O deputado Alfonso Marquina foi outro alvo dos chavistas. Ele se encontrou com Noriega em um hotel, onde os dois tomaram café da manhã.
Em janeiro, Marquina tornou pública uma gravação que ele fez escondido. Noriega ofereceu US$ 700 mil para que ele apoiasse o candidato chavista nas eleições na Assembleia Nacional.
Um pagamento de US$ 150 mil seria feito antes da votação.
Noriega negou que a conversa tenha acontecido e disse que a gravação é parte de uma campanha de Guaidó para descreditar
Marquina garante que o áudio é legítimo. Ele disse ter recusado o dinheiro.
Deputada expulsa
Arkiely Perfecto, que deixou um partido chavista no começo de 2019, contou a um colega no dia 10 de dezembro que ela aceitou 50 mil euros para votar por Parra, apesar de ter se sentido mal.
As mensagens que ela enviou forma tornadas públicas pelo partido Movimento da Inclusão Democrática, de oposição, que a expulsou.
Perfecto disse que não aceitou dinheiro e que as mensagens são falsas.

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