Irã fecha santuários e liberta 85 mil; alto funcionário do país morre vítima do coronavírus


Ao menos 12 políticos ou dirigentes iranianos, incluindo dois deputados eleitos recentemente, morreram vítimas do novo coronavírus desde 19 de fevereiro. Pessoas do lado de fora do Templo de Fátima, na cidade de Qom, em 16 de março de 2020
Mehdi Marizad / AFP
Um alto funcionário do governo iraniano, membro da Assembleia de Especialistas, o organismo responsável por nomear e supervisionar o Guia Supremo, morreu devido ao novo coronavírus, informou a agência oficial IRNA.
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O aiatolá Bathayi Golpayegani, 78 anos, eleito em 2016, havia sido hospitalizado no sábado.
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Bethayi Golpayegani representava Teerã na Assembleia de Especialistas, organismo integrado por 88 religiosos escolhidos por voto universal.
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A Assembleia de Especialistas nomeia, supervisiona e, em caso de necessidade, destitui o Guia Supremo, máxima autoridade política e religiosa do país.
Ao menos 12 políticos ou dirigentes iranianos, incluindo dois deputados eleitos recentemente, morreram vítimas do novo coronavírus desde 19 de fevereiro, data em que as autoridades anunciaram a primeira morte.
A agência semioficial ISNA anunciou o falecimento de Fariborz Rais-Dana, analista econômico e militante político de 71 anos que chegou a ser detido por sua oposição ao governo.
No Irã, o novo coronavírus provocou a morte de 853 pessoas sobre um total de 14.991 infectados, de acordo com balanço desta terça-feira (17) da universidade norte-americana Johns Hopkins.
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O país anunciou também na segunda, o fechamento de quatro importantes lugares santos, entre eles o santuário de Mashhad, primeiro cidade santa xiita do país, como forma de combater a a propagação do novo coronavírus
As infecções por Covid-19 já deixaram 853 mortos no país, segundo a imprensa estatal.
“Segundo as ordens do quartel general anti coronavírus e do ministério da Saúde, o mausoléu santo do Imã Reza, em Mashhad, assim como o santuário de Fátima Masumeh em Qom e o Xá Abdol Azim, no Teerã, estão fechados até segunda ordem”, anunciou uma emissora local.
A mesquita de Jamkaran, em Qom, também permanecerá fechada, segundo a agência iraniana Irna.
País solta prisioneiros
O país libertou temporariamente cerca de 85 mil prisioneiros, inclusive políticos, informou um porta-voz do Judiciário nesta terça-feira (17).
“Até agora, cerca de 85 mil prisioneiros foram soltos. Além disso, adotamos medidas de precaução nas prisões para confrontar o surto”, disse o porta-voz do Judiciário, Gholamhossein Esmaili.
Ele não detalhou quando os presos libertos terão que voltar às celas.
Um dia depois de o Irã libertar 70 mil prisioneiros no início de março, o relator especial das ONU para os direitos humanos no Irã, Javaid Rehman, disse que pediu para Teerã soltar todos os prisioneiros políticos temporariamente de suas prisões superlotadas e infestadas de doenças para ajudar a conter a propagação do coronavírus.
Rehman disse que só aqueles que cumprem penas menores de cinco anos foram libertados, enquanto detentos com penas maiores e aqueles responsabilizados por participarem de protestos anti-governo continuaram presos.
O Irã soltou ao menos uma dúzia de prisioneiros políticos nos últimos dias, de acordo com ativistas e grupos de direitos humanos, mas prisioneiros políticos destacados permanecem trancafiados.
Os Estados Unidos pediram a libertação de dúzias de presos com dupla nacionalidade ou estrangeiros detidos sobretudo por acusações de espionagem no Irã, dizendo que Washington responsabilizará o governo diretamente por qualquer morte de norte-americanos.
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