Em desvantagem crônica, Venezuela isola população


Até impor quarentena, Maduro perdeu tempo espalhando teorias da conspiração sobre o novo coronavírus e tenta evitar o colapso na saúde. Nicolás Maduro veste máscara durante discurso no Palácio de Miraflores, em Caracas (Venezuela), na terça-feira (13)
Miraflores Palace/Handout via Reuters
A Venezuela amanheceu militarizada e em quarentena para barrar a propagação de um novo inimigo — o coronavírus — que traria efeitos mais drásticos no país em permanente situação de calamidade. A pandemia mundial ameaça golpear com mais força o país andino; chega atrelada à queda nos preços de petróleo.
O número de casos dobrou para 33 em apenas um dia e levou o ditador Nicolás Maduro a decretar o isolamento dos venezuelanos: “Ou entramos em quarentena ou a pandemia poderia brutalmente ou tragicamente derrubar nosso país.”
Até duas semanas atrás, no entanto, Maduro desdenhava o vírus. Perdeu tempo, prestando mais um desserviço ao país. Em cadeia nacional, alardeou teorias de conspiração, apontando o Covid-19 como uma “cepa criada para a guerra biológica contra a China”, de invariável autoria norte-americana.
Ônibus lotado em Caracas perto de ponto de controle da quarentena adotada em todo o o país nesta segunda-feira (16)
Reuters/Manaure Quintero
O presidente venezuelano tenta mascarar o que é impossível esconder. Uma pesquisa realizada pela organização Médicos para a Saúde constatou, no período de três meses, 1.557 mortes relacionadas à falta de medicamentos nos hospitais venezuelanos; 79 foram causadas por apagões no sistema elétrico.
A sobrecarga no sistema hospitalar e a carência crônica de medicamentos e equipamentos tendem a se agravar com a pandemia. De máscara, Maduro pediu aos venezuelanos que improvisem máscaras. O desabastecimento no país afeta normalmente produtos básicos que combatem a disseminação do vírus, como sabão e álcool.
A realidade venezuelana, com um fluxo diário de refugiados, assusta países vizinhos. A Colômbia fechou fronteiras com o país, e o presidente da Venezuela, Ivan Duque, descartou estabelecer um canal direto com Maduro – “de nada serve” — para estancar a doença. O governo brasileiro vem sendo pressionado a agir de forma semelhante na fronteira de Roraima.
A Venezuela é alvo preocupante da pandemia no continente sul-americano. A falta de diálogo e transparência, sobretudo nesse momento, favorece a sua disseminação. E o país já entrou nessa guerra em desvantagem.
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