Coronavírus: a britânica que viajou para reencontrar irmã perdida há 40 anos – e agora está em quarentena com ela


Sue e marido estão presos na Nova Zelândia devido à pandemia; ela havia ido ao país visitar irmã cuja existência só descobriu após quatro décadas. Margaret diz que agora chama a irmã de ‘Sue-chef’, uma brincadeira da palavra ‘sous-chef’
Arquivo pessoal/BBC
“A quarentena vem sendo absolutamente fantástica para nós, pois nos deu oportunidade de recuperar o tempo perdido.”
Sue Bremner e seu marido David, que vivem no Reino Unido, estão presos na Nova Zelândia devido à pandemia de coronoavírus.
Mas o acaso acabou dando a Sue a chance de conhecer sua irmã há muito perdida, Margaret Hannay – que ela não sabia que existia há mais de 40 anos.
Margaret, de 71 anos, foi deixada para adoção com duas semanas de idade por sua mãe, que teve um breve relacionamento com o pai de Sue em 1948.
Foi apenas no ano passado que as irmãs se conheceram pela primeira vez depois que Margaret – que vive em Auckland, na Nova Zelândia – conseguiu entrar em contato com Sue no Reino Unido.
Sue, de 65 anos, e seu marido saíram para ver sua irmã novamente como parte de uma viagem pela Nova Zelândia e Austrália no dia 5 de março.
Mas duas semanas depois, o país entrou em confinamento e eles não conseguiram voltar ao Reino Unido. Então, Sue conseguiu passar mais tempo com Margaret e seu marido, John.
“Estamos nos divertindo muito aqui”, diz Sue. “Passamos muito tempo juntos bebendo vinho, cozinhando e nos divertindo.”
“Ainda não nos matamos”, ri Margaret. “Tem sido ótimo. É realmente difícil, como você provavelmente sabe, compartilhar uma cozinha com alguém. Mas parece que conseguimos administrar essa situação, tudo funciona.”
A descoberta do parentesco
Sue descobriu que ela tinha uma irmã mais velha em 2000, quando seu pai disse que ele teve um filho com outra mulher antes de conhecer sua mãe.
“Meu pai me perguntou se eu tentaria encontrar Margaret, porque ele queria que ela soubesse que nunca se passou um dia em que ele não tivesse pensado na criança que havia sido adotada.”
“Ele estava muito arrependido de ter colocado alguém no mundo e não conhecer, e queria pedir desculpas por isso.”
Sue forneceu seus detalhes ao General Register Office (Escritório Geral de Registros, em português) – órgão do governo britânico que mantém registros de nascimentos e mortes – e pesquisou nas redes sociais e sites de genealogia.
Foi dito a ela que não seria possível obter nenhuma informação sobre sua irmã, a menos que Margaret entrasse em contato dizendo que queria ser encontrada.
Margaret (segunda à esquerda) se encontrou com seus irmãos John (extrema esquerda), Sue e Lawrence (extrema direita) pela primeira vez no ano passado
Arquivo pessoal/BBC
Margaret, que se mudou para a Nova Zelândia há 45 anos, sempre soube que havia sido adotada, mas não tinha nenhum desejo de rastrear seus pais biológicos.
No ano passado, começou a se perguntar se teria irmãos.
Margaret, então, entrou em contato com o General Register Office. Duas semanas depois, eles retornaram para dizer que ela tinha uma irmã – e compartilharam com ela os detalhes de contato de Sue.
“Estava sentada na cama ainda tomando meu chá matinal com meu marido roncando do meu lado quando recebi o email dizendo que eu tinha uma irmã”, conta Margaret.
“Então, quando ele acordou, me viu chorando. Foi quando lhe disse que estava maravilhada por ter dois irmãos mais velhos. Sempre quis ter irmãos e irmãs, mas nunca tive.”
‘Como ganhar na loteria’
Sue diz que foi “incrível” quando recebeu um e-mail de Margaret se apresentando – mas, infelizmente, o pai delas morreu antes da reunião familiar.
“Receber esse e-mail foi como ganhar na loteria. Adoraria ter contado ao meu pai, mas eu meio que sinto que ele está dentro de mim e ele sabia que isso estava acontecendo.”
Margaret e Sue também têm dois irmãos – Lawrence e John Connell – e os quatro irmãos se encontraram pela primeira vez no Reino Unido no ano passado.
“Foi uma grande oportunidade para conhecer de repente o resto da família para ver como nos integraríamos”, diz Margaret. “Desde que nos conhecemos, encontramos tantas semelhanças que é estranho.”
Sue e Margaret dizem que ambas gostam de café fraco e sofrem com problemas nos joelhos.
Sue e seu marido já tiveram dois voos de volta ao Reino Unido cancelados – mas devem, finalmente, voltar para casa neste sábado (11).
Atualmente, houve apenas uma morte relacionada ao coronavírus na Nova Zelândia e sua filha – que é médica – até os aconselhou a permanecer por lá.
“Ela diz que devemos ficar aqui, que aqui é muito mais seguro. Mas temos filhos no Reino Unido e netos. É uma decisão difícil. Meu coração me manda voltar. Precisamos realmente voltar, mas estamos passando um tempo maravilhoso aqui.”
As irmãs planejavam se encontrar novamente no Reino Unido no final deste ano – mas decidiram suspender a viagem até 2021.
“Já estou começando a planejar, pois preciso combinar esta estadia”, diz Sue. “Estou pensando em reservar o Castelo de Ludlow e reunir toda a família”, conclui.
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Distribuição / Melhor Hoje / Fonte Google News

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