Região de Campinas tem 40,7 mil empresas novas no 1º semestre; veja setores por cidade


Número equivale a 76% do total de empresas novas e ativas de 2018, e supera os registros em anos como 2015 e 2016. Levantamento de consultoria especializada exibe valorização de hobby e área de afinidade nos negócios. Cidade de Campinas teve 15.685 negócios criados no primeiro semestre deste ano.
Luciano Calafiori/G1
Empresas abertas e ativas no primeiro semestre deste ano somam 40.717 nas 31 cidades da região de Campinas (SP). O número representa uma alta frente a anos anteriores e chega a superar os registros de novos empreendimentos abertos nos 12 meses de 2015 e 2016.
Os dados fazem parte de um levantamento da consultoria brasileira especializada em inteligência de mercado Empresômetro, feito a pedido do G1.
A valorização de um hobby e da afinidade em atividades específicas está por trás desses investimentos, que se destacam no setor de serviços.
“Esses empreendimentos são primeiramente voltados a atender outras pessoas, uma economia que atende outras economias”, afirma Horst Hunger, gerente de operações da consultoria.
“A linha de raciocínio é abrir um negócio em uma habilidade que já tenho ou tenho familiaridade e simpatia. Um hobby ou percebe que é uma coisa boa que ela é capaz de fazer, é prioritariamente de serviço. Fazer reformas, delivery, cuidados com beleza. Tipicamente tem a ver com habilidades que a pessoa já tem”, completa.
As informações – baseadas no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e em negócios em atividade, com notas emitidas e tudo mais – apontam que o volume de empresas criadas de janeiro a junho deste ano já representa 76% do total de 2018. Só em Campinas, 15.685 negócios foram abertos.
Ranking dos principais setores na metrópole e nº de empresas
Cabeleireiros – 874
Promoção de vendas – 763
Serviço de preparação de documentos – 631
Varejo de vestuários e acessório – 569
Entregas rápidas – 536
Transporte rodoviário de carga – 407
Obras de alvenaria – 397
Fornecimento de alimentos para consumo domiciliar – 359
Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial – 349
Lanchonetes, casas de chá, sucos e similares – 340
Na região, o setor de beleza e estética também representa uma aposta nas maiores cidades, seguido por obras de alvenaria e comércio varejista.
Veja os setores que ganharam mais espaço nas cidades da região
Busca por credibilidade
Pessoas que se viram nos últimos meses em situação de desemprego ou de renda reduzida têm buscado o caminho de aproveitamento das áreas de afinidade. Segundo Hunger, não é comum as pessoas fazerem grandes investimentos para indústrias de consumo nessa fase.
A aposta em serviços tem outra particularidade que é o hábito brasileiro de dar mais credibilidade a negócios formalizados.
“É um movimento natural. O brasileiro tem a sua forma de fazer. Já se cria a consciência de um certo grau de formalização. Olhando para esse universo de baixo pra cima, se resolve fazer uma reforma na sua casa, se um dos profissionais é um CNPJ, você tem uma tendência de escolher uma empresa, dá mais credibilidade”, ressalta o gerente de operações da consultoria.
Perto da capital paulista
A proximidade da região de Campinas com a capital paulista é um fator que contribui para o aumento do interesse das pessoas em se tornarem empreendedoras ou até mudar de setor. A busca por capacitação profissionalizante de qualidade traz resultados melhores do que em outros estados do país, analisa o gerente de operações.
“Tudo é mais fácil. A logística e o custo são mais interessantes do que se você está em outro estado mais distante. A própria cultura acelerada da capital, que te permeia , tem uma celeridade e praticidade que se destacam. Há um pensamento de que posso fazer o mesmo curso em outro lugar, mas na capital é mais intenso e com resultados melhores”.
Mais planejamento
A análise de informações e do comportamento na região aponta que poucos empreendedores planejam seus investimentos, o que provoca muitas vezes a “morte” das empresas.
Hunger lembra que, antes, havia planejamento em ocasiões em que a pessoa deixava um emprego com o objetivo de abrir um negócio. O empreendedor se preparava para isso, o que aconteceu menos nos últimos tempos.
“Acredito que a taxa de mortalidade das empresas não vai mudar muito porque a grande massa não mudou. Ele não sabe como vai investir e fazer a gestão, e tem muitas formas de ajudar nisso. Então a taxa de mortalidade deve se manter constante, em termos percentuais”.
O especialista alerta para a necessidade das pessoas empreendedoras buscarem mais informações para levar o negócio adiante. Aprender sobre gestão, pesquisar e buscar capacitação em relação a isso.
“Precisa focar na gestão e no planejamento, e tem dezenas de opções de todo tipo para suportar isso, privado, público, internet. É uma questão de dar a devida importância a esse assunto. Grande parte das empresas fecha por conta da gestão, quer seja o preço, o público que escolheu, a falta de dinheiro para tocar o negócio”.
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