O que você faria se o banco não lhe pagasse nada pelo dinheiro aplicado?

Vamos supor que você tenha R$100 mil em caixa e não precisa nem quer comprar nada. A opção seria então aplicar o dinheiro no banco e receber uma remuneração (taxa de juros) por isso.
Mas vamos supor também que, ao invés de receber uma remuneração pelo dinheiro aplicado no banco, você teria que pagar alguma coisa para o mesmo banco guardar esse dinheiro. Nessa hipótese, o saldo aplicado diminuiria ao longo do tempo. É o juro negativo, na definição financeira.
Mas há outra hipótese mais interessante: e se o banco lhe oferecer empréstimo para a compra de um imóvel a juro zero? Ou até mesmo juro negativo, abaixo de zero? Nesse caso o banco, no fundo, estaria pagando você para tomar o empréstimo.
Para nós brasileiros, acostumados a décadas de juros altamente remuneratórios, decorrentes do envidamento e gastos excessivos do governo, tal hipótese parece coisa de ficção. Mas é o que já está acontecendo em muitos países.
O fenômeno é recente e é sintoma da encruzilhada em que se encontra a economia mundial, especialmente a dos países avançados, das chamadas economias maduras.
Para entender o que se passa: na crise financeira mundial deflagrada em 2008, com a quebra do banco Lehman Brothers, os bancos centrais passaram a recomprar títulos em mercado, inundando a economia de dinheiro. Ao mesmo tempo reduziram as taxas de juros.
O pressuposto era de que, com esses dois movimentos, se evitaria o que poderia ser a mais profunda, longa e generalizada recessão mundial de todos os tempos.
No roteiro, a economia se recuperaria, a inflação subiria e os bancos centrais, em algum momento, subiriam de novo a taxa de juros. As economias dos Estados Unidos, Europa e Japão de fato de recuperaram. Mas hoje revivem o fantasma de uma nova recessão.
Nesses países, a inflação tem permanecido abaixo da meta. O esforço dos bancos centrais é para que a inflação suba e atinja a meta. Mas têm fracassado, especialmente agora que economias importantes, como a da Alemanha e quem sabe até mesmo a dos Estados Unidos, entrem em recessão.
O medo da recessão faz com que os títulos de longo prazo, de dez anos, por exemplo, estejam com taxa juros no mercado abaixo da taxa de juros dos títulos de curto prazo.Um indicativo de que o futuro pode ser pior do que o presente, na visão do mercado financeiro.
Na Alemanha, os títulos de 10 anos estão com juros negativos de 0,7%. Na França 0,4% negativo, na Holanda 0,56% e na Suíça negativo em 1,09%. Lembrando: taxas anuais. Situação que reduz o custo financeiro dos endividados, sejam governos, empresas ou famílias. E que tem propiciado essa anômala situação de financiamento imobiliário a juro zero, como tem surgido em alguns países.
Como as economias estão perdendo fôlego, a tendência é que os bancos centrais reduzam ainda mais a taxa básica ou ainda voltem com a política de compras de títulos em mercado, para jogar mais dinheiro na economia.
Quando a taxa básica, que é calibrada pelo Banco Central (BC), cai a zero ou próximo de zero, a política monetária perde eficácia. Subir ou descer a taxa de juros é o instrumento básico dos bancos centrais para obter a melhor combinação possível entre crescimento, emprego e inflação. Depois que a taxa chega a zero fazer o quê mais?
Tudo se complica com a ofensiva de Donald Trump contra a China e outros parceiros comerciais. A guerra comercial está derrubando o crescimento da China, dos Estados Unidos, da Europa… do mundo todo, enfim.
No caso da Europa a situação se complica com atabalhoada decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. O Brexit já derrubou o crescimento do próprio Reino Unido e agrava a situação dos países da zona do euro em geral.
E o Brasil está entendendo adequadamente o que se passa no mundo? A política externa do enfrentamento e das ofensas pessoais parece estar se desenvolvendo ao largo dos perigos que nos cercam.

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