O que uma taxa Selic em 3,75% ao ano muda em um mercado ‘disfuncional’?

Em tempos de Home Office, Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos e apresentador do Stock Pickers, convidou Bruno Marques, gestor do XP Macro, para uma live no Instagram da Rico para saber a visão dele sobre o corte de 50 pontos-base na Selic (agora em 3,75% ao ano) e como ele está vendo a situação do mercado.

Abaixo os melhores momentos da conversa:

Thiago Salomão: Bruno, como você enxerga a comunicação do Copom?

Bruno Marques: O cenário mudou muito forte e o que estamos observando é que os efeitos são desinflacionários. O próprio BC revisou para baixo a inflação e ainda achamos que ele revisou pouco.

O Copom deu a entender que não está em pânico, mas disse que vai usar todo o arsenal que tem para combater a crise. Embora o BC não tenha se comprometido com novos cortes, na minha visão é quase inevitável.

TS: Corte de juros funciona em um cenário de paralisação total da economia?

BM: Sim, o corte ajuda, mas não salva. O que o BC pode fazer é minimizar os impactos negativos na economia. O corte ajudará, principalmente, na retomada da economia, pois é quando as empresas ficam líquidas com mais facilidades. Não é o BC que vai resolver a crise, mas ele tem um papel importante. Os vasos comunicantes da economia são muito fortes (se uma empresa quebra pode prejudicar outras).

O mercado está quebrado, disfuncional, ele não está se achando, não tem conseguido encontrar preços pra diversas coisas. Estamos vendo um problema de liquidez muito grande.

TS: E o que você tem feito no fundo XP Macro?

BM: Estamos ajustando algumas posições.

Juros: Mercado de juros curtos parece assimétrico (5 a 6% de alta implícita, é como se a taxa Selic tivesse que voltar para 8% em um curto espaço de tempo). Prefere ficar de fora dos juros longos porque o longo prazo parece muito confuso visto que a questão fiscal pode piorar.

Bolsa: diminuiu bem as posições, mas ainda tem. Se os earnings (lucro das empresas) não subirem mais, parece que a mínima pode ser nos 60 mil pontos.

Crise bancária já tivemos muitas, mas uma crise pandêmica nunca. Negócio novo e muito forte, mas que deve ser temporário (a observar o que aconteceu na China e Coreia). A vantagem é que está todo mundo panicado o que faz com que todos os agentes (países, BCs) estejam agindo.

Mas é bom lembrar que não há nada que esteja barato que possa ficar ainda mais barato.

[No final da live ele voltou a falar sobre o corte]

Eu teria sido ainda mais agressivo no corte de juros. Ah, mas e o dólar? O Real se desvalorizou assim como todas as outras moedas emergentes. O BC fez bem em ter cortado. O Brasil tem reservas que devem ser usadas em emergências, essa é a hora de usar o seguro que o Brasil possui.

O mercado está tudo, menos funcional. Não só aqui, mas no mundo todo. Difícil prever o que acontecerá.

Palpite do que pode acontecer amanhã: parte curta da curva intermediária deve sofrer mais do que a longa.

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