Ibovespa Futuro cai 10% e atinge limite de baixa após decisão do Fed aumentar aversão ao risco nos mercados

SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro abre em queda de 10% sobre o fechamento anterior e 7% sobre o after de sexta nesta segunda-feira (16), já atingindo seu limite de baixa depois da decisão do Federal Reserve de cortar os juros nos Estados Unidos em um ponto percentual para uma banda entre 0% e 0,25%. Foi a segunda reunião extraordinária desde o início da crise do coronavírus e novamente a interpretação dominante dos mercados é de que o banco central dos EUA exaure suas ferramentas de estímulo monetário sem ser capaz de reaquecer a economia em meio à pandemia em curso.

Além do corte, o Fed ainda anunciou um programa de compras de US$ 700 bilhões em títulos aos moldes do quantitative easing usado na crise de 2008. O mercado ainda aguarda pelas medidas que serão anunciadas na teleconferência dos membros do G-7 que ocorre hoje.

Às 09h11 (horário de Brasília), o índice futuro do Ibovespa com vencimento em abril desabava 6,98% a 74.415 pontos, enquanto o dólar futuro para abril sobe 3,08%, para R$ 4,984. Os ADRs da Petrobras recuam 12,46% a US$ 5,76 no pré-market das bolsas de Nova York. Os futuros dos EUA também caem forte, cerca de 5%, atingindo também limite de baixa.

O MSCI Brazil Capped ETF (EWZ), principal ETF (fundos de gestão passiva que acompanham algum índice e são negociados em Bolsa) dos ADRs (na prática, as ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos) brasileiros despenca 16,7% no pré-market da bolsa de Nova York, já indicando uma sessão bastante negativa para a bolsa brasileira.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai 10 pontos-base a 4,96%, o DI para janeiro de 2023 sobe nove pontos-base a 6,00% e o DI para janeiro de 2025 avança 18 pontos-base a 7,13%.

Por aqui, os investidores aguardam pelo pacote de medidas do ministro da Economia, Paulo Guedes, para estimular a economia fragilizada pelo Covid-19. Ele não descartou a liberação de novos saques do FGTS e defendeu que parte dos R$ 15 bilhões do orçamento que são alvo de disputa entre Palácio do Planalto e Congresso sejam usados para reforçar setores da economia e para custear medidas na área de saúde.

O ministro da Economia afirmou ainda, desta vez em entrevista à Folha de S. Paulo, que ganhou uma missão do presidente Jair Bolsonaro: ir ao Congresso pacificar as relações entre o governo e os parlamentares. Guedes disse ainda que na semana passada obteve no Congresso projeções do Banco Central que mostravam que a velocidade de contágio no Brasil era mais rápida que e outros países, inclusive na China. “Foi alarmante”, afirma o ministro.

Os investidores também seguem atentos aos efeitos do coronavírus para a política monetária. Após a decisão do Fed, o UBS passa a projetar corte de 1 ponto percentual da Selic e diz que Copom pode agir ainda hoje. O UBS ainda avalia que BC pode adotar outras medidas, como redução do compulsório e amplo programa de atuação no câmbio.

Já a XP Investimentos mantém a visão que o BC, ao longo da semana ou na segunda, anunciará um corte de 0,50 ponto percentual, reforçandjunto com outras medidas de estímulo. “Possivelmente uma redução mais acentuada dos compulsórios (sobre depósitos a vista e a prazo) e medidas de liquidez para bancos pequenos e médios para estimular o mercado de crédito. Além disso, o BC deve aumentar o grau de intervenção no mercado de câmbio (swaps, linha e a vista) para permitir que a Selic possa cair ainda mais sem pressionar tanto o câmbio”, avalia (confira a análise completa clicando aqui).

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou que vai facilitar a renegociação de operações de créditos de empresas e de famílias que possuem boa capacidade financeira e mantêm operações de crédito regulares e adimplentes em curso, permitindo ajustes de seus fluxos de caixa, o que contribuirá para a redução dos efeitos temporários decorrentes do COVID-19.

A segunda medida do CMN expande a capacidade de utilização de capital dos bancos a fim de que estes tenham melhores condições para realizar as eventuais renegociações no âmbito da primeira medida e de manter o fluxo de concessão de crédito.

A produção industrial da China recuou 13,5% no primeiro bimestre de 2020, ante igual período de 2019, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês). O resultado é pior do que os 3% de queda esperados por analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. As vendas no varejo cederam 20,5%, quando era esperado uma baixa de 5%. Os investimentos em ativos fixos mergulharam 24,5%, ante projeção de queda de 1%. E o desemprego urbano subiu de 5,2% em dezembro para 5,7% no fim de fevereiro.

Enquanto isso, no Japão, o presidente do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, disse nesta segunda-feira que a economia japonesa se enfraqueceu recentemente devido aos efeitos do novo coronavírus e não descartou corte de juros.

Mais cedo, o BC japonês anunciou uma série de medidas para lidar com o impacto do coronavírus, antecipando sua reunião de política monetária, que estava originalmente marcada para os dias 18 e 19 de março. O BoJ, no entanto, deixou suas taxas de juros inalteradas: a de depósito permanece em -0,1% e a meta do rendimento do bônus do governo japonês (JGB) de 10 anos continua em 0%.

Noticiário corporativo 

A Petrobras divulgou um teaser para a venda total das suas participações nas usinas eólicas de Mangue Seco 3 e Mangue Seco 4, no Rio Grande do Norte. Em outro comunicado, a Petrobras informou que deu início à fase vinculante para a venda dos 10% restantes que possui na Transportadora Associada de Gás S.A (TAG). Já a Telebras publicou balanço no domingo e informou que em 2019 obteve um prejuízo líquido de R$ 430 milhões.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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