França e Itália podem estatizar empresas para evitar falências devido a perdas por coronavírus

Governo italiano anunciou que prevê a nacionalização da companhia aérea Alitalia. Os governos da França e da Itália não descartam estatizar empresas para evitar que elas sejam vítimas fatais da pandemia do coronavírus, que está desacelerando a atividade econômica em todo o mundo e ameaça levar a uma recessão global.
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Na França, o ministro de Finanças, Bruno Le Maire, afirmou que o governo está preparado para usar todos os meios a fim de apoiar grandes empresas que sofrem com turbulências no mercado financeiro, incluindo a nacionalização se necessário.
“Não hesitarei em usar todos os meios disponíveis para proteger grandes empresas francesas”, disse ele em uma teleconferência com jornalistas, de acordo com a Reuters. “Isso pode ser feito por recapitalização, por participação, posso até usar o termo nacionalização, se necessário”, acrescentou, sem mencionar quais empresas podem vir a ter tratamento prioritário.
Já o governo italiano anunciou que prevê a nacionalização da companhia aérea Alitalia, que enfrenta grandes dificuldades financeiras há vários anos, de acordo com a France Presse.
O conselho de ministros “prevê a constituição de uma nova empresa totalmente controlada pelo ministério da Economia e das Finanças, ou controlada por uma empresa com participação pública majoritária, inclusive indireta”, afirma um comunicado, que inclui ainda uma série de medidas econômicas.
O governo não revela os prazos ou outras modalidades concretas do projeto de nacionalização da Alitalia. De acordo com a imprensa italiana, Roma prevê um fundo de 600 milhões de euros para o conjunto do setor aéreo nacional, no qual a Alitalia é predominante.
Venda da Alitalia
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Um novo projeto para a venda da Alitalia foi apresentado há menos de duas semanas, em 5 de março, e as empresas ou fundos interessados tinham até o dia 18 para se manifestar, de acordo com um documento publicado no site da empresa. A Alitalia acumula perdas desde há vários anos e foi colocada sob tutela administrativa em 2017. Desde então, o governo busca compradores, sem sucesso.
A Alitalia, que enfrenta uma dura concorrência das companhias de baixo custo, não consegue rivalizar com as demais empresas tradicionais por seu tamanho, em um setor que registrou um importante movimento de concentração nos últimos anos.
A companhia aérea perde quase 300 milhões de euros por ano. Em 2018, a empresa teve 22 milhões de passageiros, contra 91 milhões da Easyjet, 142 milhões da Ryanair e os 180 milhões da Lufthansa e da Delta Airlines.
“A atual situação difícil (pelo coronavírus) me convenceu que uma empresa de aviação nacional é estratégica para nosso país”, explicou a ministra dos Transportes, Paola De Micheli, ao canal Rainews24.
A crise da Alitalia se agravou ainda mais depois que, em 2017, os funcionários rejeitaram um plano de reestruturação da empresa, que previa o corte de 1.700 postos de trabalho de um total de 11.000. A empresa pública de trens, Ferrovie dello Stato (FS), tentou por algum tempo formar um consórcio para salvar a Alitalia, mas em janeiro desistiu da ideia ante as dificuldades de encontrar um sócio.
Grandes empresas como a americana Delta, a alemã Lufthansa, o grupo que administra rodovias e aeroportos Atlantia (da família de Luciano Benetton) desistiram depois de demonstrar interesse.
A nacionalização da empresa foi apresentada como algo obrigatório porque todos os seus aviões estão em terra devido a restrições de viagem e ao cancelamento de voos provocado pela crise global desencadeada pela pandemia de coronavírus.

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