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(ANSA) – O governo do presidente da Argentina, Alberto Fernández, perdeu a maioria no Senado nas eleições legislativas de 14 de novembro, mas conseguiu limitar o prejuízo e manteve a maior bancada na Câmara dos Deputados.

O pleito envolveu quase metade da Câmara (127 de 257 assentos) e um terço do Senado (24 de 72) e ocorreu em meio a um cenário de profunda crise econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus.

A aliança de oposição Juntos pela Mudança, que tem entre seus expoentes o ex-presidente Mauricio Macri, obteve 42,18% dos votos em âmbito nacional, elegendo um total de 14 senadores e 61 deputados.

Já a coalizão Frente de Todos, encabeçada por Fernández, ficou com 33,87%, totalizando nove senadores e 50 deputados. Com isso, o governo manteve a maior bancada na Câmara, com 118 deputados (menos dois em relação à bancada atual), contra 116 da oposição (mais um).

No Senado, a Frente de Todos terá 35 assentos (menos seis), contra 31 (mais seis) da Juntos pela Mudança. É a primeira vez desde 1983, ano do restabelecimento da democracia na Argentina, que o peronismo não tem o controle do Senado, o que deve dificultar a vida de Fernández na metade final de seu mandato.

Além das mais de 111 mil mortes por Covid-19 – apesar de um dos lockdowns mais longos do mundo –, a pandemia agravou problemas crônicos da economia argentina, com mais de 40% da população abaixo da linha da pobreza e uma inflação anual de mais de 50%.

“Quero felicitar o povo argentino por sua participação pacífica no marco da democracia. Cada vez que o povo fala, a democracia nos deixa mais fortes. Hoje começa a segunda parte do nosso governo, e sei bem que os argentinos e as argentinas precisam de um horizonte”, disse Fernández.

As eleições também marcaram a ascensão do economista de extrema direita Javier Milei, admirador de Donald Trump e Jair Bolsonaro e cujo partido, o Liberdade Avança, conquistou cinco assentos na Câmara e 17% dos votos na capital Buenos Aires.

O próprio Milei, caracterizado pelo estilo performático e pelo discurso antissistema, estreará como deputado já mirando as eleições presidenciais de 2023. “Quero que saibam que, a partir de amanhã, vamos começar a percorrer cada rincão da Argentina para ter em 2023 uma chapa liberal”, disse ele em discurso após a divulgação dos resultados.

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