Biden assegura liderança nas primárias, mas o que vem depois?

Joe Biden discursa em tribuna

NOVA YORK – Já não há mais dúvidas de que Joe Biden será o escolhido do Partido Democrata para concorrer à presidência dos Estados Unidos, depois de outras três vitórias nas primárias de ontem.

Todo o resto em relação à eleição presidencial americana, por enquanto, é um grande ponto de interrogação, graças à pandemia global do coronavírus.

Embora ainda não tenha os 1991 delegados necessários para confirmar a matematicamente a vitória, o ex-vice-presidente tem uma vantagem virtualmente insuperável contra o adversário, o socialista Bernie Sanders.

Biden venceu nos estados que foram às urnas ontem apesar das recomendações federais de restringir circulação e aglomerações.

Biden obteve cerca de 62% dos votos na Flórida, o maior dos estados que foi às urnas ontem e onde a população de origem latina – tradicionalmente aliada de Sanders – rejeitou o socialista de maneira contundente.

Em Illinois e no Arizona, o centrista Biden também obteve vitórias. Ohio, que deveria ter votado ontem, adiou suas primárias por motivos de saúde pública.

Mais uma vez, Sanders não se pronunciou depois de anunciados os resultados. Vai aumentar a pressão para que ele abandone a candidatura nos próximos dias com o objetivo de unir o partido contra Donald Trump.

Falando de sua casa na noite de ontem, num tom sério e sombrio, Biden abriu seu pronunciamento com a ameaça do coronavírus.

Ele evitou criticar Trump diretamente e reforçou a importância de respeitar as recomendações de distanciamento social para evitar o alastramento da doença.

Biden também voltou a mencionar a necessidade de unir o partido. “Precisamos de uma ampla coalizão para vencer em novembro”, disse o ex-vice de Obama. “Eu e Bernie podemos divergir na tática, mas temos um objetivo comum.”

Parece cada vez mais certo que o impacto do coronavírus – tanto em termos de saúde quanto em termos econômicos – será o grande tema da campanha presidencial. Além disso, porém, há muito mais dúvidas que certezas.

Os efeitos do coronavírus já são sendo sentidos nas próprias primárias. Tanto Biden quando Sanders essencialmente suspenderam suas aparições públicas. Não há mais comícios, encontros com eleitores ou comerciais na TV. Trump também cancelou todos os eventos de campanha.

Estados como Georgia, Louisiana, Kentucky, Maryland adiaram para junho, no mínimo, as primárias marcadas para as próximas semanas.

A direção do Partido Democrata segue afirmando que a convenção em que Biden deve ser formalmente indicado vai acontecer em julho na cidade de Milwaukee, no Meio Oeste do país, como programado.

Mas o presidente do partido, Tom Perez, foi alvo de críticas por permitir que as três primárias de ontem acontecessem, potencialmente colocando em risco a saúde dos eleitores.

O coronavírus e a eleição geral

Ainda faltam pouco mais de sete meses para a eleição geral, e o consenso é que a votação deve ser realizada conforme o previsto – como ocorreu durante as guerras mundiais e durante a pandemia da gripe espanhola.

Os temas que estarão em primeiro plano, porém, mudaram nos últimos dias. A economia pós-coronavírus e a liderança de Donald Trump durante a crise agora estão em primeiro plano.

Durante semanas, Trump fez pouco da ameaça do coronavírus: afirmou tratar-se de uma “farsa”, de uma “gripe comum”, que a situação estava “sob controle”, que o vírus iria desaparecer “milagrosamente” em abril, quando o tempo começasse a esquentar.

Foi só depois do derretimento das Bolsas – um dos indicadores que ele mencionava constantemente para defender seu desempenho na Casa Branca – que o presidente americano mudou de tom.

Ontem veio o sinal mais claro de que Trump vai agir de forma decisiva para evitar uma catástrofe econômica – e para isso ele pegou emprestada uma ideia defendida por um democrata.

O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, afirmou na tarde de ontem que uma das medidas de incentivo que o governo deve apresentar ao Congresso é um programa de garantia de renda para os americanos que perderem o emprego ou não puderem trabalhar por causa da pandemia.

Esse foi justamente um dos pilares da campanha do democrata Andrew Yang, que abandonou as primárias há pouco mais de um mês.

O empreendedor, que teve sucesso surpreendente nas primárias, foi um dos grandes defensores de um programa de renda mínima.

Falando na CNN ontem à tarde, ele afirmou que sua equipe havia mantido contato com a Casa Branca para discutir o assunto.

Ainda não há detalhes sobre o plano do governo, mas, segundo a imprensa americana, Mnuchin teria afirmado que a taxa de desemprego no país pode chegar a 20% por causa do coronavírus.

Com o fechamento de bares, restaurantes, cinemas, e dada a fragilidade econômica dos trabalhadores da “economia do frila” – motoristas de Uber e entregadores de serviços como Rapi –, o impacto imediato nas famílias pode ser devastador.

O tema do aumento da rede de proteção social, a base das plataformas dos candidatos democratas, certamente virá à tona na campanha presidencial.

Os pedidos de salvamento de setores inteiros da economia – hotéis, operadoras de cruzeiros marítimos e companhias aéreas – também deve ser alvo de debates acalorados.

Igualmente importante deve ser o tema da cobertura de saúde, uma das principais bandeiras de Bernie Sanders. Trump já anunciou algumas medidas para garantir que todos os americanos possam fazer testes mesmo que não tenham seguro-saúde.

Estima-se que mais de 80 milhões de americanos ou não tenham plano de saúde ou tenham planos que oferecem cobertura inadequada.

Invista seu dinheiro contando com a melhor assessoria do mercado: abra uma conta gratuita na XP.

The post Biden assegura liderança nas primárias, mas o que vem depois? appeared first on InfoMoney.

Distribuição / Melhor Hoje / Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *