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Ex-produtor de Hollywood se firmou nos bastidores da política conservadora como editor do site Breitbart News e também tentou lançar movimento para eleger líderes populistas e de direita na Europa. Desta vez, ele foi preso por descumprir mandado relacionado à investigação do ataque de manifestantes pró-Trump contra o Capitólio. Steve Bannon é visto ao deixar a Corte Federal de Manhattan, após pagar fiança e ser solto, na quinta-feira (20)
Reuters/Andrew Kelly
Steve Bannon, estrategista do ex-presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, se entregou ao FBI nesta segunda-feira (15) e foi novamente preso. Ele é acusado criminalmente de ter desobedecido um mandado do comitê legislativo que investiga a invasão do Congresso dos EUA em 6 de janeiro.
Ele foi denunciado duas vezes por desacato na sexta-feira: por se recusar a comparecer para depor e por se recusar a fornecer documentos em resposta a uma intimação da comissão.
“Estamos derrubando o regime de Biden, eu quero que vocês fiquem focados, isso é só ruído”, disse, antes de se entregar.

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Steve Bannon se entregou ao FBI no dia 15 de novembro de 2021
Kevin Lamarque/Reuters

Bannon já havia sido preso em agosto do ano passado sob a acusação de desviar dinheiro de uma campanha de apoio à construção de um muro entre os Estados Unidos e o México, e liberado sob uma fiança de US$ 5 milhões.
Ele foi o estrategista chefe da campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e é considerado um dos arquitetos de sua vitória em 2016, mas também atuou como conselheiro de líderes conservadores de outros países e é criador do grupo The Movement, que tem representantes no mundo todo (leia mais abaixo).
ENTENDA: a relação entre Bannon e a família Bolsonaro
Em outubro deste ano, a Câmara dos Representantes, de maioria democrata, aprovou uma resolução contra Bannon com 229 votos a favor – 9 deles de republicanos – e 202 contra, pedindo ao Departamento de Justiça que tomasse providências contra o ex-estrategista de Trump.
A comissão de investigação quer que Bannon deponha por acreditar que ele “tinha algum conhecimento prévio dos acontecimentos extremos que aconteceram” em 6 de janeiro, quando Trump incentivou uma insurreição no momento em que o Congresso se reunia para ratificar a vitória eleitoral do agora presidente Joe Biden. O protesto logo se transformou numa tentativa de golpe contra o Legislativo, com a invasão ao prédio do Congresso.
Bannon deu declarações em seu podcast na véspera do ataque ao Capitólio que causaram a suspeita: “Será que o caos se vai instalar amanhã? Muitas pessoas me disseram: ‘Se houvesse uma revolução, seria em Washington’. Bem, este vai ser o momento de vocês na história”, disse Bannon aos seguidores.
Bannon se amparou em uma ação judicial apresentada por Trump para impedir que certos documentos relacionados com os acontecimentos ocorridos sejam revelados. Ele pediu ao comitê que adie o seu comparecimento até que a Justiça decida o que fazer a respeito dessa ação de Trump, mas o pedido dele foi rejeitado.
Trajetória
Quando jovem, passou quatro anos na Marinha, depois de estudar em uma escola militar preparatória, e obteve um MBA na Universidade de Harvard. Sua primeira carreira foi na área de investimentos, onde trabalhou na Goldman Sachs.
Mais tarde, mudou para o ramo de financiamento de mídia, e foi um dos responsáveis pelo lançamento da série de comédia “Seinfeld”. Bannon também trabalhou em Hollywood, e tem em seu currículo 18 títulos como produtor e nove como diretor, incluindo documentários sobre o ex-presidente Ronald Reagan e a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin.
Seu envolvimento com conservadores e com os bastidores da política ganhou impulso quando se uniu a Andrew Breitbart, um empresário disposto a criar um site de mídia “pró-liberal”. Após a morte de Breitbart, em 2012, Bannon assumiu a chefia do Breitbart News, um canal que foi considerado racista e antissemita, mas que ele descrevia como “a plataforma da direita alternativa”.
Donald Trump e Steve Bannon, em foto de janeiro de 2017
Mandel Ngan/AFP/Arquivo
Conhecido por Trump desde 2010, ele assumiu a chefia de sua campanha em agosto de 2016, e, após a vitória nas eleições, ganhou o cargo de estrategista chefe do governo. Em agosto de 2017, no entanto, ele deixou a Casa Branca, entre acusações de antissemitismo e defesa de supremacistas brancos.
Nos bastidores, porém, a versão é de que ele teria criado inúmeros atritos com outros assessores de alto escalão, especialmente Jared Kushner, genro de Trump. Além disso, o próprio presidente teria se cansado da atenção dispensada a Bannon pela imprensa, que atribuía a ele o crédito pela vitória nas eleições, e pelas suspeitas de que ele vazaria informações da Casa Branca.
Ele então voltou ao Breitbart News, onde continuou defendendo Trump e atacando seus oponentes, mas logo mostrou discordâncias, criticando, por exemplo, a demissão do diretor do FBI, James Comey, o que chamou de “o maior erro da história política moderna”.
Para piorar, disse que a reunião entre Donald Trump Jr. e um grupo de russos, citada no processo de impeachment do presidente, havia sido algo “traiçoeiro”.
Irritado, Trump emitiu um comunicado no qual disse que “Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, não apenas perdeu seu emprego, perdeu sua lucidez”.
A briga acabou custando a Bannon o trabalho, já que seu site perdeu financiadores, incluindo a maior deles, Rebekah Mercer. O fato foi celebrado por Trump com um apelido para o ex-amigo: “A família Mercer recentemente despediu o vazador (de informações) conhecidos como Steve Bannon Desleixado. Espertos!”, escreveu em uma rede social.
E 2020, porém, os dois já pareciam ter feito as pazes, e Trump voltou a elogiar Bannon, a quem descreveu como “um de meus melhores pupilos” e “ainda um enorme fã de Trump”.
The Movement
Ex-assessor de Trump, Steve Bannon, é aplaudido por Marine Le Pen, durante Congresso do partido Frente Nacional em Lille, na França
Pascal Rossignol/Reuters
O grupo The Movement foi criado por Bannon com a proposta de eleger líderes de direita na Europa e obter assentos no Parlamento Europeu.
Ele chegou a manter conversas com políticos populistas e de direita como Viktor Orbán, da Hungria, Matteo Salvini, da Itália, e representantes de Geert Wilders, da Holanda, e Marine Le Pen, da França, mas o movimento não chegou a ganhar força no continente.
Entenda a relação de Steve Bannon com a família Bolsonaro
No Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) disse em uma rede social, em janeiro de 2019, que Bannon o havia escolhido para liderar o movimento na região.
“Satisfação em ser o líder do The Movement para América Latina ao lado de Steve Bannon”, escreveu Eduardo na legenda de uma imagem em que aparece abraçado a Bannon.
Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon em foto divulgada em agosto de 2018
Reprodução/Twitter/Eduardo Bolsonaro
Em março daquele ano, Bannon encontrou-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um evento na embaixada do Brasil nos EUA definido pelo Palácio do Planalto como “jantar com formadores de opinião”, em Washington. Bannon sentou-se do lado esquerdo de Bolsonaro – à direita estava o escritor Olavo de Carvalho.

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