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Desde o golpe em outubro, manifestantes vem saindo às ruas em atos pró-democracia apesar da repressão letal das forças de segurança. Pessoas participam de marcha funerária de manifestante na capital Cartum neste sábado (20)
AFP
Opositores ao golpe no Sudão voltaram a se manifestar neste sábado (20) e convocaram novos protestos maciços para o domingo, apesar da repressão que já matou pelo menos 40 pessoas em quase um mês.
Em 25 de outubro, o general Abdel Fattah al Burhan, comandante do Exército e autor do golpe, pôs fim à instável transição há meses em curso no país. Ele ordenou a prisão de quase todos os civis no poder, acabou com a união formada por civis e militares e decretou estado de emergência (veja mais abaixo).
Desde então, multitudinários protestos contra o Exército tomaram as ruas, em especial em Cartum, para reivindicar o retorno ao poder de um governo civil. Em geral, estas manifestações têm sido duramente reprimidas pelas forças de segurança.
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No sábado, centenas de manifestantes tomaram as ruas de Cartum Norte, nos arredores da capital, construindo barricadas e queimando pneus, segundo um correspondente da AFP.
“Não ao poder militar”, gritavam. Nas regiões leste e sul da capital, também ocorreram concentrações, segundo depoimentos.
No último dia 17, manifestantes carregam faixas e bandeiras durante protesto contra o golpe militar
Mohamed Nureldin/Reuters
Delegacia incendiada
Uma delegacia de polícia na área foi incendiada. Os manifestantes e as forças de segurança culparam-se mutuamente pelo incidente.
Ativistas pró-democracia fizeram apelos nas redes sociais para manifestações em massa no domingo, sob o lema da “marcha do milhão de 21 de novembro”.
A Associação de Profissionais do Sudão (APS), uma das pontas de lança da revolta popular de 2019 que levou o exército a remover Omar al Bashir após 30 anos no poder, pediu à população que mantenha a pressão pelo retorno de um governo civil.
A movimentação continua apesar da repressão letal das forças de segurança contra os manifestantes.
A quarta-feira, 17 de novembro, foi o dia mais mortal, com a morte de 16 pessoas. A maioria dos óbitos ocorreu em Cartum Norte, periferia ligada à capital por uma ponte sobre o Nilo, conforme informação de um sindicato de médicos pró-democracia. Uma das vítimas foi atingida por uma bala e morreu neste sábado.
“Um adolescente de 16 anos foi gravemente ferido a bala na cabeça e na perna em 17 de novembro e se tornou um mártir”, declarou o sindicato, em um comunicado.
A polícia afirma que 89 de seus militares ficaram feridos e garante que nunca abriu fogo contra os manifestantes. Estes representam a maioria dos óbitos nos protestos registrados desde 25 de outubro.
Segundo as forças policiais, que tem um balanço bastante diferente, até o momento, houve um morto e 30 feridos, pelo uso de gás lacrimogêneo.
No sábado, as autoridades disseram em um comunicado que uma investigação sobre os manifestantes mortos foi aberta.
Em Omdurman, localizado em frente a Cartum, os manifestantes denunciaram a repressão com gritos de “baixo o poder militar”.
Após o aumento da violência, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse na quinta-feira que estava “profundamente preocupado” com a repressão e instou o exército a autorizar manifestações pacíficas, lembrando a necessidade de “restabelecer a transição liderada por civis”.
A União Africana, que suspendeu o Sudão, também condenou a repressão e pediu uma “transição democrática”, de acordo com um comunicado no sábado.
Por sua vez, o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) exigiu a libertação de jornalistas detidos durante a cobertura dos protestos, incluindo Ali Farsab, que segundo a organização foi espancado e fuzilado na quarta-feira.
Diante desses apelos, o general Burhan permanece inflexível. Foi redesignado à chefia da mais alta instituição da transição, o Conselho Soberano, redirecionou todos os seus militares ou membros pró-exército e nomeou civis não políticos.
Mas os militares ainda não nomearam um novo governo, como prometeram durante semanas, após a detenção do primeiro-ministro, Abdullah Hamdok, em prisão domiciliar.
O golpe militar
Abdel Fattah al-Burhan, general que chefiava o Conselho Soberano do Sudão, anuncia estado de emergência em todo o país e dissolve o próprio conselho, que supervisionava a transição de poder, e o governo de transição, que era comandado pelo primeiro-ministro que foi preso por militares
TV do Sudão via AP
Militares deram um golpe de Estado há quase um mês no Sudão, o terceiro maior país da África em extensão, e tomaram o poder após prender o primeiro-ministro interino, Abdallah Hamdok, ministros e outras autoridades civis.
O general Abdel Fattah al-Burhan, que chefiava o conselho que supervisionava a transição para uma democracia, fez um pronunciamento oficial na TV, anunciou estado de emergência no país e dissolveu o próprio conselho e o governo de transição, que era comandado por Hamdok.
O Conselho Soberano foi criado há dois anos, após a saída de Omar al-Bashir (ditador que caiu em meio a protestos depois de governar por três décadas). Ele era formado por civis e militares que frequentemente discordavam sobre o futuro do país e o ritmo da transição para a democracia.
As prisões, o estado de emergência e a dissolução do conselho ocorreram perto da data em que o general Abdel-Fattah Burhan teria de entregar a liderança do Conselho Soberano a um civil.

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