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Candidato revive nostalgia do regime de Pinochet e aproveita vazio deixado na direita pelo atual presidente. José Antonio Kast em campanha, em 11 de novembro de 2021
Javier Torres/ AFP
O ultraconservador José Antonio Kast soube aproveitar o vazio na direita chilena para tornar-se um fenômeno em ascensão nas eleições presidenciais de domingo. Na disputa do primeiro turno, ele leva uma ligeira vantagem sobre o esquerdista Gabriel Boric em duas pesquisas realizadas esta semana.
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Aos 55 anos, ele é considerado um outsider e arrebata o eleitor que nas últimas eleições votou no conservador Sebastián Piñera, se decepcionou com o governo de direita e despreza o candidato Sebastián Sichel como seu sucessor.
Gabriel Boric, Sebastián Sichel, José Antonio Kast e Yasna Provoste, candidatos à presidência do Chile
Claudio Reyes / AFP
O crescimento de Kast está diretamente relacionada à impopularidade de Piñera, cujo índice de desaprovação chegou a 78%, pressionado pelo recente escândalo dos Papéis de Pandora e pelo mix que combina inflação, pandemia e crises institucional e social de seu governo.
O atual presidente acaba de se livrar de um processo de impeachment no Senado, mas sai por baixo, abrindo espaço para a extrema direita. E ela está representada pelo advogado e líder do Partido Republicano, católico, pai de nove filhos, que não poupa elogios ao ditador Augusto Pinochet, comandante do país entre 1974 e 1990. “Se estivesse vivo, ele votaria em mim”, declarou recentemente.
Numa comparação com o regime autoritário de Daniel Ortega, na Nicarágua, Kast revisita a história: considera que Pinochet se saiu melhor, ao promover uma transição democrática no Chile. O desaparecimento de 40 mil pessoas durante a ditadura militar passa ao largo da versão do candidato.
De quarto lugar nas eleições de 2017, Kast chegou a líder das pesquisas nesta campanha presidencial. Em dois meses, dobraram as intenções de voto para ele. Mas, num embate no segundo turno em dezembro, as pesquisas indicam empate técnico com Boric, com ligeira vantagem para o candidato da coalizão de esquerda Aprovo a Dignidade.
Kast ressalta não ser de extrema direita, mas defende as bandeiras do ex-presidente dos EUA Donald Trump e do brasileiro Jair Bolsonaro, integrando o Foro de Madrid, um clube de ultraconservadores criado pelo partido espanhol Vox. Em comum, vangloriam-se do desapreço pela classe política – Kast refere-se ao Congresso como circo.
O discurso anti-imigração do candidato, defensor da ordem, da saída do país do Conselho de Direitos Humanos da ONU e da liberdade econômica, preenche os anseios de uma parte do eleitorado, que sonha em ter de volta o Chile como modelo de estabilidade da América Latina. Ainda que ele esteja falsamente atrelado à nostalgia do regime brutal de Pinochet.
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