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Um dos jovens foi perseguido por mil homens e baleado 400 vezes após suposto crime, há 72 anos, e outro foi morto por xerife. Sobreviventes foram soltos em condicional e também já morreram; em 2019, todos foram perdoados postumamente, mas só agora receberam exoneração. Parentes dos ‘Groveland Four’, a partir da esquerda: Vivian Shepherd, sobrinha de Sam Shepherd, Gerald Threat, sobrinho de Walter Irvin, e Carol Greenlee, filha de Charles Greenlee, se reúnem durante homenagem aos quatro em frente a corte do Condado de Old Lake em Tavares, na Flórida, no dia 21 de fevereiro de 2020
Joe Burbank/Orlando Sentinel via AP
Uma juíza da Flórida inocentou postumamente nesta segunda-feira (22) quatro homens negros, conhecidos como “Groveland Four”, injustamente acusados de estuprar uma adolescente branca 72 anos atrás durante a era Jim Crow de segregação racial no sul dos EUA.
A juíza do tribunal do condado de Lake, Heidi Davis, deu o passo final nos casos de Charles Greenlee, Walter Irvin, Sam Shepherd e Ernest Thomas. Os quatro homens haviam sido oficialmente e postumamente perdoados em 2019.
Davis anulou os julgamentos e sentenças de Irvin e Greenlee e rejeitou as acusações dos outros dois, um deles morto antes mesmo de ser julgado.
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Em uma moção buscando sua exoneração, o procurador do estado da Flórida, Bill Gladson, disse que as evidências recentemente descobertas questionavam se qualquer estupro foi cometido e sugeriu fortemente que “o xerife, o juiz e o promotor quase garantiram os vereditos de culpa neste caso”.
“Seguimos as evidências para ver aonde nos levariam e nos levaram a este momento”, disse Gladson em entrevista coletiva na segunda-feira.
O amplo interesse pelos Groveland Four foi renovado em 2012 pelo livro vencedor do Prêmio Pulitzer “Devil in the Grove: Thurgood Marshall, the Groveland Boys and the Dawn of a New America”, de Gilbert King.
Dias depois de os quatro serem acusados de sequestrar e agredir sexualmente uma garota de 17 anos, em 1949, perto de Groveland, Flórida, Thomas foi caçado por um destacamento de mais de mil homens e baleado 400 vezes.
A Suprema Corte dos EUA, em 1951, anulou por unanimidade as condenações de Shepherd e Irvin, que foram defendidas pelo advogado da Associação Nacional para o Avanço de Pessoas de Cor, Thurgood Marshall, que mais tarde se tornou o primeiro juiz negro da Suprema Corte dos EUA.
Naquele mesmo ano, o xerife do condado de Lake, Willis McCall, atirou nos dois homens, matando Shepherd, enquanto ele os transportava para uma audiência pré-julgamento. McCall alegou que eles estavam tentando escapar.
Irvin foi julgado novamente e condenado novamente. Ele foi libertado em liberdade condicional em 1968 e encontrado morto um ano depois, em circunstâncias suspeitas.
Greenlee, que obteve liberdade condicional no início dos anos 1960, morreu em 2012.
A mulher que acusou os homens de estuprá-la quando ela tinha 17 anos se opôs aos perdões em 2019, dizendo que ela não era mentirosa.
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