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A UE, que não envia missão de observação eleitoral à Venezuela desde 2006, tem enfrentado críticas de algumas figuras da oposição que afirmam que sua presença legitima implicitamente o governo de Maduro. Um observador eleitoral da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia visita um colégio eleitoral, antes da eleição de domingo (21) de novembro
Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
Vestidos com coletes azuis escuros com o logotipo da União Europeia, dois observadores eleitorais visitaram locais de votação antes da eleição de domingo na capital da Venezuela, Caracas, parte de sua primeira missão ao país sul-americano em 15 anos.
Os observadores –entre 44 enviados no final de outubro a 22 dos 23 estados da Venezuela– visitaram escolas que serão locais de votação e abrem cedo para que os cidadãos possam aprender sobre as novas urnas eletrônicas. Os militares, encarregados da segurança das urnas, deixaram os observadores bisbilhotar.
Os venezuelanos elegerão conselhos locais, prefeitos e governadores estaduais em uma disputa em 21 de novembro que incluirá partidos de oposição, os quais boicotaram as eleições presidenciais em 2018 e uma votação parlamentar em 2020.
A oposição alega que o presidente Nicolás Maduro e seu partido obtiveram vitórias ilegítimas nas disputas anteriores.
Os Estados Unidos e dezenas de outros países não reconhecem a administração de Maduro. A Venezuela está sofrendo uma prolongada crise econômica e social, exacerbada por duras sanções dos EUA que reduziram as exportações de petróleo.
A UE –que não envia missão de observação eleitoral à Venezuela desde 2006– tem enfrentado críticas de algumas figuras da oposição que afirmam que sua presença legitima implicitamente o governo de Maduro.
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“O envio de uma missão eleitoral não significa de forma alguma o reconhecimento ou rejeição de qualquer autoridade”, disse Xabier Meilan, o segundo em comando da missão.
Se o governo de Maduro seguirá qualquer uma das recomendações da missão –parte das quais será publicada 48 horas após a votação– “depende das forças políticas do país”, disse Meilan.
“Não temos o desejo nem a capacidade de impor nada”, afirmou.
Os apoiadores da missão esperam que ela destaque os supostos abusos do governo denunciados pela oposição: mandados de prisão para políticos que desde então fugiram do país, a proibição de outros de concorrer, transporte de eleitores em ônibus financiados pelo Partido Socialista, decisões judiciais que retiraram alguns partidos das cédulas e tendas de registro perto de pontos de votação para rastrear quais apoiadores do governo votam.
“Não peço fé (aos venezuelanos). Peço paciência, que esperem até que publiquemos o relatório”, disse Meilan. “Não queremos interferir. Não produziremos um relatório tendencioso de forma alguma.”
Até o dia da eleição, a equipe terá 100 observadores, disse Meilan, com equipe marcada para estar presente em cerca de 1.000 dos 14.400 locais de votação do país.
“Estamos cansados ​​de dizer ‘a missão que represento e na qual estou trabalhando aqui é uma missão independente. É imparcial e neutra'”, disse a observadora eslovaca Petra Sulovska, ao deixar um centro de informações eleitorais em Caracas.
Nas áreas de Táchira, na fronteira com a Colômbia, os observadores estão observando se os candidatos e partidos podem fazer campanha sem perseguições.
No oeste de Barquisimeto, o funcionário alemão Thomas Leszke diz que os observadores estão compilando estatísticas para rastrear se há algum problema isolado, “Mas não somos policiais e não podemos interferir no processo eleitoral”, explica.
Qualquer irregularidade será comunicada à chefe da missão, a deputada portuguesa Isabel Santos, disse. “Daremos as informações ao chefe da missão”, disse Leszke. “Seremos totalmente honestos com ela.”

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