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Comunidade internacional se mobiliza desde que estrela do tênis da China acusou ex-vice-premiê do país de agressão sexual, foi censurada e ficou semanas desaparecida. Jornal chinês publica vídeo de tenista que estava desaparecida após acusar autoridade de abuso sexutal
A Associação de Tênis Feminino (WTA, na sigla em inglês) afirmou nesta segunda-feira (22) que a videochamada de Peng Shuai, estrela tênis da China, com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, não é o suficiente e não aborda ou alivia a preocupação com o bem-estar da tenista.
O paradeiro de Peng tornou-se um assunto de preocupação internacional depois que a estrela do tênis da China acusou o ex-vice-premiê Zhang Gaoli de agressão sexual, foi logo censurada e ficou semanas desaparecida.
A WTA ameaçou deixar de organizar torneios na China se a jogadora continuasse desaparecida, e a ONU e a Anistia Internacional se juntaram à comunidade de tênis para pedir ao governo chinês que apresentasse provas sobre o paradeiro da tenista e seu estado de saúde.
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Diante da pressão internacional, fotos e vídeos de Peng Shuai começaram a ser divulgadas no sábado (20), mas não foram o suficiente. No domingo (21), a tenista participou da videochamada com o presidente do COI.
As imagens em que ela apareceu em um jantar com amigos e em um torneio de tênis infantil em Pequim, que foram publicadas por jornalistas da mídia estatal chinesa e pelos organizadores do torneio, não foram suficientes para diminuir as preocupações com a atleta.
Peng Shuai assina bolas de tênis em um torneio de tênis juvenil em Pequim, em imagem divulgada em 21 de novembro de 2021 no Twitter
Reprodução/Twitter
A intervenção do COI
Thomas Bach entrou no imbróglio porque a China será a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que ocorrerão em fevereiro na capital Pequim, e já há quem defenda o boicote ao torneio.
“Foi bom ver Peng Shuai em vídeos recentes, mas eles não aliviam ou tratam da preocupação da WTA sobre seu bem-estar e a capacidade de se comunicar sem censura ou coerção”, disse uma porta-voz da WTA por e-mail.
Questionada sobre a videochamada de Peng com Bach, a porta-voz disse: “Este vídeo não muda nosso apelo por uma investigação completa, justa e transparente, sem censura, sobre sua alegação de agressão sexual, que é a questão que deu origem à nossa preocupação inicial”.
O COI disse em um comunicado que Peng participou de uma videochamada de 30 minutos com Thomas Bach no domingo (21), durante a qual ela disse que estava “segura e bem” em casa, em Pequim, e queria que sua privacidade fosse respeitada por enquanto.
A tenista chinesa Peng Shuai conversa por videochamada com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach
Greg Martin/COI
Boicote às Olimpíadas
Diante do caso, parte da comunidade internacional pediu um boicote às Olimpíadas de Inverno de Pequim devido ao histórico de direitos humanos da China.
Hu Xijin, editor do jornal estatal “Global Times”, que nos últimos dias postou fotos e vídeos de Peng, disse no Twitter nesta segunda que sua aparição deve ser suficiente para aliviar as preocupações “daqueles que realmente se preocupam com a segurança de Peng Shuai”.
“Mas, para aqueles que desejam atacar o sistema da China e boicotar as Olimpíadas de Inverno de Pequim, os fatos, não importa quantos, não funcionam para eles”, afirmou Hu.

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