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Partidos de direita alegam ‘incapacidade moral’ do mandatário para seguir no poder. Admissão para debate em plenário não está garantida, pois é preciso que 40% dos deputados aprovem a medida. Para remover o presidente, são necessários 87 votos de um total de 130 congressistas. Pedro Castillo está a apenas quatro meses no poder, mas oposição já quer tirá-lo do cargo
Reuters/Sebastian Castañeda/Pool
Congressistas de três partidos de direita apresentaram nesta quinta-feira (24), no Congresso peruano, um pedido para remover do cargo o presidente Pedro Castillo, que está há apenas quatro meses no poder, alegando uma suposta “incapacidade moral” para exercer suas funções.
Com 28 assinaturas, duas a mais que as exigidas para iniciar o trâmite no Congresso, a moção de “vacância” foi apresentada por congressistas dos partidos Avança País, Força Popular e Renovação Popular, que representam um terço do parlamento.
Contudo, sua admissão para debate em plenário não está garantida, pois é preciso que 40% dos legisladores presentes aprovem a medida. Para remover o presidente, são necessários 87 votos de um total de 130 congressistas.
“Declara-se a permanente incapacidade moral do Presidente da República, o cidadão José Pedro Castillo Terrones, segundo o estabelecido no inciso 2 do artigo 113 da Constituição política do Peru”, diz o texto da moção, difundido na imprensa local e nas redes sociais.
O Parlamento unicameral peruano é dominado pela oposição de direita, enquanto o partido governista Peru Livre, de esquerda, é a maior minoria com 37 votos.
A líder opositora e ex-candidata presidencial Keiko Fujimori tinha anunciado na sexta passada que seu partido, Força Popular, que tem a segunda maior bancada individual do Congresso (24 votos), depois do Peru Livre, apoiaria o pedido de destituição.
“No Força Popular, acreditamos que este governo vem demostrando uma incapacidade permanente para liderar o país”, escreveu Keiko no Twitter naquele dia.
A legenda de extrema-direita Renovação Popular também apoia a destituição de Castillo, e convocou uma manifestação para este sábado.
A possível destituição de Castillo vem sendo cogitada desde o dia seguinte à sua eleição, quando os partidos de direita denunciaram que houve fraude eleitoral, apesar do aval dado aos resultados pelas autoridades eleitorais e pelos observadores da OEA e da União Europeia.
Castillo assumiu a presidência em 28 de julho e seu mandato termina em julho de 2026. O presidente é alvo de críticas por sua falta de rumo e pelas constantes crises ministeriais. Em menos de 120 dias de gestão, ocorreram diversas mudanças de ministros e o governante enfrenta divisões em sua própria coalizão de apoio.
Além disso, a desaprovação da gestão do presidente chegou a 57%, de acordo com uma pesquisa do instituto Ipsos difundida em 14 de novembro.

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