Confraternização em lar de idosos, nos EUA, pode ter espalhado coronavírus entre moradores


Casa de repouso foi um dos primeiros focos de coronavírus nos Estados Unidos. 9 mortes no país têm alguma ligação com o local. Life Care Center em Kirkland, se tornou o epicentro do COVID-19 nos Estados Unidos.
AP Photo/Ted S. Warren
Antes do dia em que o lar de idosos Life Care Center se tornou o marco zero do coronavírus nos Estados Unidos, havia poucos sinais de que o vírus estava se espalhando rapidamente pelo mundo.
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Os visitantes chegavam como sempre, às vezes sem serem anunciados. Os funcionários haviam começado a usar máscaras, mas os moradores frágeis e os familiares que vinham os visitar, não. Os eventos organizados continuavam conforme o planejado, incluindo uma festa, onde dezenas de moradores e visitantes lotavam uma sala, cantavam e passavam pratos de linguiça, arroz e bolo.
“Estávamos todos comendo, bebendo, cantando e batendo palmas. Relembrando, foi um verdadeiro festival de germes.”, disse Pat McCauley, que estava na casa visitando um amigo.
A festa aconteceu três dias antes de anunciarem que um profissional de saúde de 40 anos e uma moradora de 70 anos haviam sido diagnosticados com o novo vírus. A notícia seria seguida pelas primeiras mortes: dois homens e duas mulheres, que tinham entre 70 e 80 anos.
Das 14 mortes registradas em todo o país até esta sexta-feira (6), pelo menos 9 estão ligadas de alguma maneira ao lar de idosos de Seattle.
As investigações tentam resolver o mistério de como, exatamente, o coronavírus entrou no Life Care. Também avaliam se a casa, de 190 leitos – que já havia sido multada por causa de uma outra infecção no ano passado – estava preparada para proteger do vírus os pacientes mais vulneráveis.
Uma equipe de fiscais planeja visitar a Life Care no sábado (7). É esperado que haja sanções, incluindo a mudança da administração do lar. A equipe analisará as práticas da casa, incluindo o controle de infecções.
A Life Care não respondeu às perguntas enviadas pela Associated Press. Desde o início do surto, o centro emitiu declarações dizendo que sofre com as famílias que perderam seus entes queridos. Declarou, também, que as visitas foram interrompidas, que os funcionários estão sendo examinados e que os residentes, com qualquer tipo de doença respiratória, foram isolados.
Vários familiares e amigos que visitaram os residentes da Life Care, nas últimas semanas, disseram à AP que quando estiveram na casa não observaram nenhuma precaução incomum. A nenhum deles foi perguntado sobre o estado de saúde ou se havia visitado a China ou outro país atingido pelo vírus.
Bob e Pat McCauley visitaram a casa de repouso. O casal ficou em quarentena na última semana.
AP Photo/Ted S. Warren
Pat e Bob McCauley, que visitaram um amigo oito vezes em duas semanas antes do surto, disseram ter notado alguns membros da equipe usando máscaras durante uma visita no final de fevereiro. Durante a última festa que foram no local, eles foram para uma sala com meia dúzia de mesas e começaram a cantar junto com o amigo, enquanto os residentes em cadeiras de rodas se amontoavam para ter uma visão clara da banda que tocava no local.
“À medida que se tornou mais movimentado, ajudamos a mover pacientes para assentos, mover cadeiras de rodas para lugares entre mesas, segurando portas, ajustando mesas e cadeiras para acomodar cadeiras de rodas”, disse Pat McCauley. “Tivemos um contato muito próximo com vários pacientes.”
Dois dias depois, o casal chegou para outra visita e percebeu o motivo das máscaras nos enfermeiros. Um membro da equipe do lar disse que um “vírus respiratório” havia se espalhado. O casal McCauley se virou e foi para casa.
Lori Spencer, cuja mãe de 81 anos está no Life Care, disse que também notou as máscaras e a lotação do local no dia da festa.
“Os corredores estavam lotados de pessoas. O lugar estava barulhento – ela disse. “Todas as portas dos quartos estavam abertas, e eu podia ver que havia várias pessoas lá. Fiquei pensando em como as pessoas estavam um em cima da outra. ”
Spencer disse que, naquele dia, os bombeiros tinham ido visitar o local, também, além de alguns estudantes de enfermagem.
Um representante do sindicato dos bombeiros de Kirkland disse, na quinta-feira (5), que todos os bombeiros testados, até agora, tiveram resultado negativo para o coronavírus, mas anunciaram que vão realizar mais testes.
“Nós estávamos cozinhando e comendo juntos”, disse Evan Hurley. “Lembrar de tudo isso e de quem foi exposto é difícil.”
Betsy McCaughey, presidente do Comitê para Redução de Mortes por Infecção, disse que, durante a festa, a casa de repouso deveria ter feito mais para proteger seus residentes.
“Todas as casas de repouso realizam festas”, disse ela. “Deviam ter feito algumas perguntas aos convidados: Como você está se sentindo? Você viajou para um dos focos do coronavírus? Alguém da sua família viajou para um foco? Existe alguém doente na sua família? ‘”
McCaughey estima que 380.000 residentes em casas de repouso morrem a cada ano de infecções, cerca da metade delas evitáveis. Embora os residentes de asilos possam precisar de mais interação social do que os pacientes do hospital, “eles não precisam sacrificar suas vidas por isso”, disse ela.
Não se sabe exatamente como o vírus entrou na casa de repouso. Normalmente, em lares de idosos, os pacientes acamados são infectados por vírus trazido a eles pelos visitantes ou por funcionários que estão doentes.
Embora a Life Care tenha uma boa avaliação, em abril do ano passado, os inspetores estaduais encontraram problemas no controle de infecções após dois surtos de gripe que afetaram 17 residentes e funcionários. A Life Care foi multada em US $ 67.000. Uma avaliação ressente constatou que os problemas haviam sido corrigidos.
Nesta sexta-feira (6), 69 residentes permanecem no Life Care e, nas últimas 24 horas, 15 foram levados a hospitais.
Um dos funcionários da clinica instala higienizador de mãos no local.
AP Photo/Ted S. Warren
Stephen C. Morris, especialista em saúde pública da Escola de Medicina da Universidade de Washington, que foi enviado ao asilo para avaliar pacientes na última quinta-feira (5), disse que, no meio dessa crise, a equipe da casa de repouso precisa de ajuda. “Eles precisam de enfermeiros e médicos mais bem treinados ”, disse.
As famílias dos idosos que permanecem na casa, afirmaram que estão preocupados. Disseram, também, que estão se comunicando com seus familiares via tablet, celulares e letreiros nas janelas.
Patricia Herrick, cuja mãe de 89 anos morreu na quinta-feira (5), disse que é difícil saber que sua mãe foi pega no epicentro do surto. “Saber que ela estava em um ambiente perigoso e não ser capaz de ajudar … é horrível”, afirmou. Herrick quer que sua mãe seja testada para ver se ela morreu do vírus.
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