Alto nível de estresse aumenta risco de hipertensão em 6 anos


Hipertensão é fator de risco para infarto e acidente vascular cerebral

Hipertensão é fator de risco para infarto e acidente vascular cerebral
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Manter uma rotina de estresse durante alguns anos pode ser suficiente para que indivíduos com pressão arterial normal desenvolvam hipertensão. A conclusão é de um estudo publicado recentemente no periódico científico Hipertensão, da Associação Americana do Coração.

O trabalho confirma o que outros estudos já apontavam: a exposição cumulativa a estressores diários ou estresse traumático são fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Os autores do estudo analisaram dados de 412 adultos com idade entre 48 e 87 anos entre 2005 e 2018, nos Estados Unidos.

Os níveis de norepinefrina, epinefrina, dopamina e cortisol (hormônios que atuam em situação de estresse) dos participantes foram medidos em testes noturnos de urina.

Todos foram acompanhados por médicos em três visitas ao centro de pesquisa durante o período do estudo.

O objetivo era detectar se eles haviam desenvolvido hipertensão ou sofrido eventos cardiovasculares, como dor no peito, procedimento de abertura de artéria (angioplastia), infarto ou AVC (acidente vascular cerebral).

Em um período médio de 6,5 anos, os pesquisadores observaram que sempre que os níveis dos hormônios de estresse dobravam, o indivíduo tinha um risco entre 21% e 31% maior de desenvolver hipertensão.

Eles concluíram que em 11,2 anos de acompanhamento houve um aumento de 90% no risco de eventos cardiovasculares com cada duplicação dos níveis de cortisol,

“É um desafio estudar o estresse psicossocial, pois é pessoal e seu impacto varia para cada indivíduo. Nesta pesquisa, usamos uma medida não invasiva — um único teste de urina — para determinar se esse estresse pode ajudar a identificar pessoas que precisam de exames adicionais para prevenir hipertensão e possivelmente eventos cardiovasculares ”, disse em comunicado um dos autores do estudo, Kosuke Inoue, professor assistente de epidemiologia social na Universidade de Kyoto, no Japão.

Inoue destaca o fato de pesquisas anteriores terem como foco pacientes que já sofriam de hipertensão. Neste trabalho, eles conseguiram acompanhar indivíduos com altos níveis de estresse e que desenvolveram a doença.

“A próxima questão-chave da pesquisa é se e em quais populações o aumento do teste de hormônios do estresse pode ser útil. Atualmente, esses hormônios são medidos apenas quando há suspeita de hipertensão com uma causa subjacente ou outras doenças relacionadas. No entanto, se a triagem adicional puder ajudar a prevenir a hipertensão e eventos cardiovasculares, podemos querer medir esses níveis de hormônio com mais frequência”, acrescentou o pesquisador.

Quase 1,3 bilhão de pessoas em todo o planeta têm hipertensão, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Este número dobrou desde 1990, e cerca de 700 milhões não fazem tratamento para controlar a pressão.

A hipertensão — caracterizada pela pressão arterial sistólica ≥140 mmHg, pressão arterial diastólica ≥90 mmHg e/ou uso de medicação para hipertensão — é uma doença que pode aumentar o risco de outros problemas de saúde, incluindo infarto e AVC. Também é uma das principais causas de morte prematura em todo o mundo.

 

 

 

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